Empreendedorismo Marketing

Se posicionar ou lucrar? Fique com os dois.

Foi-se o tempo em que as empresas podiam visar o lucro a qualquer custo, fazer propagandas enganosas e, ainda assim, manter seus clientes e a boa imagem da marca. Atualmente, em uma época de fácil acesso e disseminação de informações e de pessoas cada vez mais preocupadas com o bem estar de suas comunidades, negócios que querem se manter no mercado precisam agir com ética e com responsabilidade na sociedade e no meio ambiente.

Esse tipo de ação envolve, claro, se posicionar em relação a assuntos que são discutidos no dia-a-dia, incluindo os polêmicos. Um negócio que apoia e defende uma causa está fazendo um bem para a comunidade já que, de forma geral, um negócio tem muito mais visibilidade, recursos e é capaz de pressionar (ou fazer) mudanças do que um indivíduo. E os gestores devem ter esse pensamento na hora de tomar uma posição sobre determinado assunto – de que sua marca está não só tomando parte daquela causa, mas representando pessoas que pensam como ela. É claro que podem (e vão) aparecer pessoas reclamando de certos posicionamentos, mas se a marca está ciente de que está fazendo o certo, ela vai atrair mais clientes do que afastar, e esses clientes darão a ela mais lucros do que se a marca ficar “em cima do muro”.

Alguns números: uma pesquisa feita pela Edelman em 2018 mostrou que 67% das pessoas comprariam pela primeira vez em um negócio exclusivamente porque concordam com ele em um assunto controverso. A pesquisa viu ainda que mais da metade dos entrevistados em uma pesquisa afirmaram que o posicionamento da marca é tão importante quanto as qualidades dos produtos que ela vende.  Finalmente, uma em cada quatro pessoas afirmam que pagam até 25% mais nos produtos de um negócio que tenha valores alinhados com os seus. Ou seja, se posicionar é interessante para as empresas, especialmente para aquelas que atendem ou atenderão um dia quem é das novas gerações, já que 68% dos millennials afirmam que “têm vontade de mudar o mundo” e que confiam em marcas que querem fazer essa mudança junto com eles.

Mesmo com tantas vantagens, por que temos dificuldade em nos posicionar sobre assuntos polêmicos? E como esse medo nos trava de fazer nossas empresas terem uma opinião?

Uma causa é que crescemos ouvindo que futebol, política e religião não são assuntos para serem discutidos, e isso gerou a impressão de que falar sobre esses temas é errado. Além disso, esses temas causam desconforto, já que nem todos terão a mesma opinião que você. Outra possível causa é o medo que temos das críticas e de perder clientes (provavelmente isso irá mesmo acontecer, mas pode ser inclusive algo positivo). Ainda, podemos ter medo de não saber nos posicionar corretamente sobre determinado assunto e isso levar a mais transtornos do que vantagens.

Todos esses medos existem e são válidos, mas como empreendedores somos agentes de mudança. Nossa missão é ser líderes e promover reflexão na nossa comunidade. Se posicionar é estratégia! É a melhor forma de atrair clientes fiéis, que confiam e que sabem que podem contar com você. Ao se posicionar e defender causas importantes, você cumpre seu papel social como um negócio que visa não apenas o lucro, mas a transformação do mundo.

Lembrete: se posicionar não é brigar. Seja ético e consciente. Analise o que você acredita que realmente fará bem à sua comunidade e tenha um plano para que suas ações estejam alinhadas com as causas que você defende.

Co-Fundador da Sempreende. PhD em Marketing pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduado em educação para adultos. Revisor da Revista de Administração e Inovação e da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Tem experiência na coordenação de eventos relacionados a Empreendedorismo e Inovação em universidades. É autor de diversos artigos científicos publicados nas áreas de Marketing e Empreendedorismo. Por dois anos, atuou como professor de cursos de graduação na UFG, tais como Administração, Ciências Contábeis e Engenharias. Já ministrou módulos de Marketing e foi orientador de TCCs em cursos de pós-graduação da UFG.

1 comentário em “Se posicionar ou lucrar? Fique com os dois.

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