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Crise do COVID-19: o que sua empresa deve e não deve fazer

No último sábado, dia 20, Jeff Bezos, CEO da Amazon, postou uma carta de 4 páginas no seu Instagram para todos os seus funcionários. Dentre outras coisas, sua mensagem deixa clara a preocupação com o momento e os esforços feitos por ele e pela empresa para superar essa crise. “Todo o meu tempo está focado no COVID-19 e em como a Amazon pode desempenhar melhor o seu papel.”

Essa é a postagem completa dele:

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A message to all Amazon employees.

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            A Amazon é uma das empresas mais inovadoras e bem-sucedidas do mundo. A mensagem do CEO deixa claro que todos nós precisaremos pensar em adaptar nossas empresas o mais rápido possível à nova realidade. O novo vírus nos colocou diante de situações inesperadas e não sabemos quando a situação voltará ao normal (se é que volta). É hora de pensar no que sua empresa deve ou não deve fazer.

O que fazer:

Invista na comunicação:

            Estamos diante de uma crise de saúde que é também humana. As pessoas precisam se sentir seguras.  Por isso, elas precisam confiar na empresa e você precisa ser transparente. Fale sobre os avanços da doença, seja fonte de informação segura, mas, principalmente, fale sobre o que a empresa está fazendo. Não tenha medo de dividir as dificuldades financeiras, de relatar problemas no caixa. É melhor que as pessoas tenham fontes seguras de informação do que comecem a imaginar histórias e alimentar a tensão e a fofoca.

Apoie seus funcionários durante a crise

            Mais do que nunca, as pessoas precisam de seus líderes. Não deixe que sua equipe se sinta abandonada. Verifique a situação de trabalho em home office para aquelas que já estão em casa. Identifique se é necessário investir em infraestrutura e tecnologia (muitas pessoas não têm computadores próprios e uma internet adequada, por exemplo). Converse com seus funcionários e identifique aqueles que precisam de apoio, oferecendo até mesmo ajuda de custo para terapia. É hora de cuidar das pessoas.

Foque no negócio, sem perder de vista o seu propósito

            Todas as empresas vão precisar inovar, mas não adianta tomar decisões precipitadas, baseadas no que os outros estão fazendo e se desviando do seu propósito. Não faz sentido passar a fabricar um produto que não se encaixa na sua proposta de valor ou abrir mão de valores essenciais só para continuar tendo receita. Você já conhece o negócio e os clientes. É hora de identificar quais novas necessidades eles têm e como você pode resolvê-las.

Pense estrategicamente

            Prepare-se para diversos cenários. Pense como sua empresa voltaria a funcionar se a quarentena acabasse em uma semana. Elabore as estratégias de relançamento. Pense também em cenários pessimistas. E se o isolamento durar mais 6 meses? Quais alternativas você terá? O que as empresas dos demais países estão fazendo? É hora de gerar ideias, sem se desesperar.

Reduzir custos

            É hora de reduzir seus custos para preservar seu caixa. Renegocie aluguel, negocie novos prazos com fornecedores, cancele ou congele mensalidades que não fazem sentido no momento. Fique atento às medidas tomadas pelo governo e pelos bancos e use as oportunidades a seu favor. Qualquer redução pode fazer diferença lá na frente.

O que não fazer:

Marketing oportunista

            As pessoas estão muito sensíveis e críticas. Se sua empresa puder ajudar de forma genuína e altruísta, faça. Se não, fique quieto. Não tente “pegar carona” com ações de outras empresas ou se promover para levar vantagem. Se sua empresa não pode contribuir genuinamente, é melhor ficar calada por alguns dias e aguardar a hora certa de voltar a se manifestar.

Se vangloriar

            Não se vanglorie por ter colocado sua equipe em trabalho remoto ou por ter feito alguma ação que beneficie a sociedade. Você não quer que essas ações pareçam ter segundas intenções. Deixe que seus funcionários e clientes divulguem as boas ações por você.

Sumir

            Devido ao fechamento temporário de muitas empresas e ao excesso de informações, muitos empresários tendem a se afastar dos seus clientes. O problema é que quando as coisas normalizarem eles podem demorar a lembrar de você. Por isso, tente manter contato e relacionamento, ainda que seja apenas para checar se os clientes estão bem. Ainda vale a velha máxima: “quem não é visto não é lembrado”.

Demitir

            A folha de pagamento costuma ser um dos maiores custos das empresas. Apesar disso, demitir agora não ajuda. Primeiro porque as pessoas precisam de emprego e renda para sobreviver. Segundo porque os custos de rescisão são altíssimos e podem mais piorar do que contribuir com seu fluxo de caixa. Terceiro porque sua empresa pode voltar a funcionar antes do que você imagina e você terá um custo ainda maior recontratando e treinando pessoas. Deixe o corte de pessoas por último e o faça apenas se não tiver outra opção.            

Ninguém sabe quando o problema vai acabar e como estaremos no final. O que sabemos é que somos protagonistas nessa crise. Os resultados da pandemia dependem das escolhas de cada um de nós. Afinal, como diria Warren Buffet, “não é o mais forte que sobrevive e sim o que se adapta melhor às circunstâncias.”

Co-fundadora e diretora da Sempreende. PhD em Administração com foco em Empreendedorismo. Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Facilitadora certificada da metodologia Lego® Serious Play®. Experiência de mercado como empreendedora no ramo de alimentação e consultora na Shell Brasil. Revisora da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Consultora e facilitadora de programas de Empreendedorismo no Centro de Empreendedorismo e Incubação da UFG (CEI/UFG), Incubadora 3D (Prefeitura de Aparecida de Goiânia), Aldeia Incubadora (Uni-Anhanguera), UnIncubadora (UniEvangélica), Proin (UEG), Incubadora Athenas (UFG/Catalão), Incubadora Beetech (UFG/Jataí) e PUC Incubadora (PUC/GO). Já capacitou professores para o Empreendedorismo no Senac-GO, Senai-GO, UFG, Uni-Anhanguera e UniEvangélica.

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