Criatividade

Quer ser mais criativo? Erre mais!

Sabemos que só consegue fazer algo novo aquele que tenta. Também sabemos que quem tenta normalmente comete erros no caminho. Dizer que precisamos aprender com os erros já se tornou quase um clichê, mas ainda estamos longe de saber como fazer isso. Na nossa sociedade, errar é algo que se deve esconder, é uma vergonha, uma derrota. Por isso, muitas pessoas deixam de sugerir ideias, de tentar coisas novas, por medo de errar.

Para mim, o primeiro passo é entender que errar nunca vai ser bom. Precisamos parar de romantizar o erro. Veja: sentir tristeza, raiva, arrependimento, vergonha é perfeitamente normal. Quem não sente nada, pode estar adoecido. Mais ainda: só é possível aprender com o erro se você se sente mal com ele. É exatamente daí que vem a reflexão que te levará a crescer, a entender o que deu errado, o que poderia ser melhor e como corrigir. A partir do momento que se tem essa clareza, aceitamos que o erro pode acontecer e, ao deixar de temê-lo tanto, passamos a reduzir as chances de ele acontecer.

Precisamos parar de romantizar o erro.

Então, minha recomendação é pensar: o que posso aprender caso tudo dê errado? O que eu vou perder com isso? O que eu vou ganhar com isso? Ao pensar no que pode perder, tente minimizar as perdas, mas não se desestimular. Ver a possibilidade de ganhos te ajuda com isso.

Você não precisa abandonar seu emprego e gastar todo o dinheiro que tem para testar uma ideia de negócios, pois esse erro custaria muito caro. Mas pode elaborar um pequeno protótipo e mostrá-lo para algumas pessoas. O máximo que vai acontecer é elas dizerem que não comprariam seu produto ou serviço. Esse é o erro mais valioso que pode existir: saber que sua ideia não vai funcionar antes de gastar muito dinheiro e muito tempo com ela. Aprenda com esse erro e siga adiante!

O que posso aprender caso tudo dê errado?

Talvez você esteja com medo de dar uma ideia ao seu chefe. Pense: qual é a pior coisa que pode acontecer? Se ele vai te demitir apenas por dar uma ideia ruim, talvez essa empresa já não seja mais o lugar ideal para você. Se ele vai apenas criticar a ideia e dizer que não pode executá-la, bom, pelo menos você tentou e agora já tem uma resposta.

Perceba que ao assumir que o erro pode acontecer, mudamos nosso modelo mental e fazemos as pazes com ele. Passamos a nos preparar para suas consequências, mas sem nos bloquear para a ação. Sugiro que você faça as pazes também com seus erros passados. Escreva todos eles em um papel e tente identificar como eles te ajudaram a chegar onde você está hoje. Nem sempre a relação é linear, mas com o tempo fica claro que sem esses erros você não seria a mesma pessoa.

Perceba que ao assumir que o erro pode acontecer, mudamos nosso modelo mental e fazemos as pazes com ele.

Compartilho um pouco da minha história. Quando eu tinha 23 anos, decidi abrir uma franquia de um restaurante de comida japonesa com uma amiga. Cometemos todos os erros que alguém poderia cometer ao iniciar um negócio. Não pesquisamos o mercado, abrimos no local errado, o produto não era exatamente o que as pessoas queriam, contratamos funcionários inadequados, gastamos muito com a reforma, com marketing e não tínhamos uma reserva de capital de giro. Nem preciso dizer que no primeiro ano tudo deu errado. Nós aprendemos com tudo isso e, por mais contraditório que possa parecer, abrimos uma segunda unidade (dessa vez no lugar certo e do jeito certo) e essa nova loja nos salvou.

Se eu te disser que aprendi com os erros de cara e que os superei de imediato, estarei mentindo. No início, fiquei triste, revoltada, culpei os outros e o azar. Depois me senti um fracasso, tive vergonha. Só depois de um tempo decidi fazer algo a respeito disso. Hoje, tenho clareza que sem esses erros jamais teria começado a Sempreende, minha empresa atual, uma vez que o grande propósito de nossa escola é ajudar pessoas a empreender cometendo o mínimo de erros possível. Ou seja, sem esses erros e, principalmente, sem o que aprendi com eles, eu não teria hoje o negócio que amo.

Agora, quando cometo erros, reflito muito mais rápido sobre eles, tento não me culpar ou me diminuir e vejo o que posso aprender. Se isso ainda não é natural para você, vale a pena buscar ajuda profissional, como terapia, por exemplo, pois às vezes precisamos resolver questões profundas antes de conseguir liberar nossa criatividade novamente!

Sugiro também que você busque aprender com os erros de outras pessoas. Por que suas ideias não deram certo? O que elas poderiam ter feito diferente? Isso já pode te ajudar a cortar caminhos e a economizar tempo e esforço. Cuidado: não confie em pessoas que não te contam os erros que cometeram e que tenham uma história de sucesso perfeita. Ela pode estar te escondendo alguma coisa!

Não confie em pessoas que não te contam os erros que cometeram e que tenham uma história de sucesso perfeita!

Co-fundadora e diretora da Sempreende. PhD researcher (UnB) em Ensino de Empreendedorismo. Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Facilitadora certificada da metodologia Lego® Serious Play®. Experiência de mercado como empreendedora no ramo de alimentação e consultora na Shell Brasil. Revisora da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Consultora e facilitadora de programas de Empreendedorismo no Centro de Empreendedorismo e Incubação da UFG (CEI/UFG), Incubadora 3D (Prefeitura de Aparecida de Goiânia), Aldeia Incubadora (Uni-Anhanguera), UnIncubadora (UniEvangélica), Proin (UEG), Incubadora Athenas (UFG/Catalão), Incubadora Beetech (UFG/Jataí) e PUC Incubadora (PUC/GO). Já capacitou professores para o Empreendedorismo no Senac-GO, Senai-GO, UFG, Uni-Anhanguera e UniEvangélica.

1 comentário em “Quer ser mais criativo? Erre mais!

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