Design Thinking empreendedorismo

Para que serve o Design Thinking

O ano é 2018. Imagine um auditório repleto de empresários, alguns atuando há mais de 20 anos no mercado, outros iniciando seus negócios e, ainda, alguns simpatizantes do “tema” empreendedorismo. Após sucessivas horas de palestras e treinamentos, eis que um braço impaciente se estende ao alto, em meio à plateia, e uma voz se pronuncia: Ok, entendi o que foi falado, a importância disso tudo… Quer dizer então que se eu seguir esse passo-a-passo aí eu vou conseguir os meus clientes de volta?

Surpreendentemente, o questionamento daquela empresária, a qual havia perdido a quase totalidade de seus clientes, era o mesmo de outros 70% dos presentes na plateia. Resolvi então devolver a pergunta para eles. Quis saber quantos dos que ali se encontravam possuíam um cadastro de seus clientes, um controle mínimo que fosse. Menos de 10% levantaram as mãos. Decidi continuar e insisti para saber quantos haviam, em algum momento de suas trajetórias empreendedoras, parado para estudar os seus clientes, para tentar entender o que eles pensam, como se sentem, o que e quem os influencia, quais são os seus desejos, necessidades, expectativas e percepções… Deparei-me com todos me olhando, quietos, algumas expressões de dúvida e outras com certo “ar” de perplexidade. Alguns sorrisos constrangidos… silêncio no recinto.

Eles começavam a compreender que não, não existe um passo-a-passo, uma receitinha milagrosa que garanta o sucesso de um empreendimento ou a reconquista de clientes. Mas existe uma abordagem que permite criar soluções inovadoras e criativas focadas na experiência do usuário, nas reais necessidades do mercado, o Design Thinking. Embora o nome faça referência, o DT não é propriedade exclusiva dos designers. Fato é que a forma de trabalho desses profissionais, centrada no ser humano, tem inspirado inovações em diversas áreas, como a engenharia, música, ciência… e não tem sido diferente com a área empresarial.

Desenvolvida em Stanford, a abordagem assim é chamada por não oferecer premissas matemáticas, um caminho infalível para a inovação. Pelo contrário, pressupostos, premissas e achismos são deixados de lado. No DT inova-se olhando para frente, pois acredita-se que somente replicar o que deu certo no passado pode ser o primeiro passo para o fracasso. O cliente muda, o mercado evolui e é preciso se adaptar. Para isso, busca-se enxergar novos caminhos a partir da perspectiva do consumidor, de fatos, dos problemas que ele enfrenta. Oferecer a melhor solução para esses problemas pode ser a chave para estar à frente da concorrência.

O DT parte de cinco fases não-lineares e iterativas. Inicialmente, deve-se exercer a empatia para conhecer a fundo o cliente e, conforme dito, suas dores, anseios, expectativas. Depois, define-se o problema do ponto de vista dele, do próprio cliente. Em sequência, desafia-se suposições e levanta-se ideias para soluções inovadoras. Então, deve-se materializar as ideias com protótipos e MVPs (mínimos produtos viáveis), para que, enfim, seja possível testar as soluções e encontrar a mais adequada e promissora. As etapas podem se repetir por diversas vezes, em um ciclo de feedback e aprendizagem. É importante ressaltar que julgamentos devem ser evitados e que times multidisciplinares tendem a contribuir mais para o processo criativo de cocriação.

Nesse processo, os gestores se tornam quase antropólogos em busca da compreensão de todas as dimensões do consumidor final. O DT, porém, não se limita ao desenvolvimento de produtos e serviços que atendam as reais necessidades e desejos dos clientes. Ele também pode ser utilizado para capacitar a equipe de vendas, algo estratégico face aos bilhões de dólares em prejuízos que empresas brasileiras amargaram em 2017 devido ao mau atendimento (Fonte: Accenture). Pode ainda ser utilizado para a resolução de problemas a nível interno de uma organização, seja ela do porte que for, ou ainda por profissionais autônomos, freelancers, etc. Ou seja, o Design Thinking veio para todos, basta que se saiba extrair o máximo dessa abordagem, olhar na direção correta e esquecer as velhas e ineficazes fórmulas mágicas de outrora. Então eu pergunto, e você, já descobriu o que o seu cliente quer?

Por: Fernanda Arantes

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