Design Thinking

Sua TV é mais bonita porque alguém usou o Design Thinking há 15 anos

Design Thinking é uma forma de pensar para resolver problemas que tem como figura central o ser humano. Pensar como um designer, seguindo esta abordagem, é explorar os pensamentos das pessoas, nos seus sentimentos, entender suas dores, suas necessidades e desejos e, assim, criar soluções que resolvam seus problemas da melhor forma possível. Isso traz vantagens para as empresas, que reduzem seus esforços de vendas, e para as pessoas, que recebem aquilo que soluciona seus anseios.

Os produtos, serviços ou soluções criados a partir do Design Thinking muitas vezes fogem do óbvio e é justamente por isso que as empresas têm utilizado cada vez mais essa abordagem. A inovação é gerada a partir da empatia, colaboração de ideias, experimentação e otimismo. Nesse artigo, apresento um caso da Samsung, que no início da década de 2000 utilizou o Design Thinking para inovar no setor de TVs e iniciar um novo padrão para a indústria.

Em 2003, ao visitar as casas das pessoas e verem como realmente é o uso de aparelhos de TVs por elas, pesquisadores da Samsung observaram que as televisões ficavam a maior parte do tempo desligadas, como se fossem parte da mobília. Além disso, eram instaladas nas salas das casas, em uma posição elevada – ou seja, os aparelhos estavam em um local de destaque. A partir dessa observação, os pesquisadores tiveram a ideia de que as TVs deveriam ter um design inovador, ter papel decorativo na casa das pessoas. Para conseguir esse novo desenho, uma das primeiras ideias foi passar as caixas de som para a parte de trás dos televisores. Esta mudança enfrentou resistência por parte da empresa, já que a qualidade do som reduziria bastante. Para resolver esse problema, foram feitas outras pesquisas utilizando o Design Thinking e identificaram que aquelas pessoas que realmente se importavam com o som das TVs já utilizavam caixas acústicas externas, como home theaters, e que a redução na qualidade ao passar as caixas de som para a parte de trás das TVs não era relevante para o restante dos consumidores.

Volta no tempo. Antes dessa pesquisa, o pensamento tradicional dos gerentes da indústria de TVs era melhorar os aparelhos na seguinte ordem de prioridade: qualidade da imagem, qualidade do som, usabilidade das funções e, só então, seu design. O Design Thinking permitiu sair do óbvio e entender que, naquela época, o que as pessoas queriam eram TVs bonitas – uma vez que já estavam satisfeitas com a qualidade de imagem, som e usabilidade.

Como na maioria das inovações, essa mudança enfrentou o ceticismo por parte da alta direção da Samsung. Por isso, resolveram testar em um pequeno mercado se os novos modelos seriam aceitos. Ao notarem que as vendas foram satisfatórias, iniciaram a produção em larga escala da Bourdeaux TV, que foi um grande sucesso de vendas, tendo um milhão de unidades vendidas em apenas seis meses.

Nesse caso, a Samsung saiu do escritório e foi até seus usuários para ver como realmente eles utilizavam as televisões e como poderiam melhorar. A partir do entendimento do uso do produto, passaram a focar em um aspecto até então deixado de lado pelas empresas – o design das TVs – ao invés de gastar tempo e energia em melhorar qualidade de imagem e som, algo que não faria os consumidores trocar seus aparelhos de televisão antigos por novos. Com isso, aumentou suas vendas e fez que outras fabricantes também direcionassem seus esforços para o aspecto físico das TVs. Como sempre digo, a inovação surge a partir de pensamentos não convencionais. Ir para a rua, conhecer, de fato, o cliente, pensar que sempre há uma solução melhor que a atual e experimentar (em outras palavras, utilizar o Design Thinking), ajudam a criar novos produtos que encurtam o caminho para o sucesso.

Co-Fundador da Sempreende. PhD researcher (USP) em Marketing de Serviços. Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduado em educação para adultos. Revisor da Revista de Administração e Inovação e da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Tem experiência na coordenação de eventos relacionados a Empreendedorismo e Inovação em universidades. É autor de diversos artigos científicos publicados nas áreas de Marketing e Empreendedorismo. Por dois anos, atuou como professor de cursos de graduação na UFG, tais como Administração, Ciências Contábeis e Engenharias. Já ministrou módulos de Marketing e foi orientador de TCCs em cursos de pós-graduação da UFG.

1 comentário em “Sua TV é mais bonita porque alguém usou o Design Thinking há 15 anos

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