empreendedorismo

Devo empreender em momentos de crise?

Existem dois tipos de empreendedorismo: o empreendedorismo por oportunidade e o empreendedorismo por necessidade. Quando falamos do empreendedorismo por oportunidade, falamos de pessoas que perceberam uma oportunidade de mercado e resolveram empreender. Ou seja, são pessoas que perceberam que alguma necessidade ou desejo do consumidor daquele mercado não estava sendo atendida satisfatoriamente ou identificaram alguma nova tendência, e resolveram que podiam melhorar ou superar negócios existentes. O empreendedorismo por necessidade é aquele no qual o indivíduo acaba começando o seu próprio negócio por não ter outras alternativas para se sustentar e sustentar sua família. Acaba usando o conhecimento ou habilidade que tem para abrir sua empresa, pois está desempregado.

Em momentos de crise como o que o Brasil vem passando, é comum que o empreendedorismo por necessidade aumente bastante. Isso, por si só, não é problema, mas normalmente esses empreendedores planejam menos ou têm menos recursos para sustentar as fases iniciais do negócio, o que pode leva-lo ao fracasso. Por isso, esses empreendedores devem ter cuidado redobrado.

Seja qual forma a forma de empreendedorismo, sem dúvida, em momentos de crise empreender pode ser uma alternativa. Dizer que crises são sinônimo de oportunidades pode parecer um velho clichê, mas a afirmação tem um fundo de verdade. Podem ser criados negócios para suprir necessidades que não estão sendo atendidas, para entregar produtos e serviços a preços menores, ou ainda, para ajudar empresas que estão com dificuldades, com consultorias, por exemplo. Esses negócios devem buscar a inovação. Veja só, não é necessário criar algo totalmente novo, que ninguém tenha feito antes, mas encontrar alguma falha existente no mercado e fazer e superar a concorrência em pelo menos um aspecto.

O problema é que, muitas vezes, as pessoas que decidem empreender, mas ainda não têm uma ideia de negócio, passam a buscar pesquisas sobre tendências ou negócios promissores para aquele ano. Essa pode ser uma estratégia mortal, pois essas tendências não costumam considerar as especificidades de cada cidade ou bairro. Resumindo, o empreendedor precisa entender bem o seu cliente para entregar produtos e serviços que esse cliente queira comprar.

É muito comum vermos empreendedores estão abrindo negócios que aparentam estar em expansão, mas são apenas produtos de moda, que não se sustentarão a longo prazo. É daí que vem um boom de alguns negócios, como paleterias, yogurterias, bolos caseiros, e tantos outros, que não sobrevivem. Muita gente abriu esse tipo de negócio sem a capacitação e o planejamento necessário, apenas porque as primeiras empresas do tipo aparentavam dar muito lucro. Hoje vemos que muitas empresas do tipo já estão encerrando suas atividades devido à saturação do mercado ou simplesmente porque não atraírem mais clientes como as lojas atraiam quando era novidade.

Sem dúvidas, o empreendedorismo ajuda o país a reduzir as taxas de desemprego. As pequenas empresas, no Brasil, são responsáveis por mais de 50% dos empregos gerados. O problema é que muitos dos negócios gerados são informais ou acabam morrendo antes dos dois primeiros anos de existência. Por isso, o empreendedorismo deve ser estimulado pelas escolas, universidades, e por meio de políticas públicas que garantam que os indivíduos estejam mais bem preparados para essa empreitada.

Co-fundadora e diretora da Sempreende. PhD researcher (UnB) em Ensino de Empreendedorismo. Mestre em Empreendedorismo e Inovação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Facilitadora certificada da metodologia Lego® Serious Play®. Experiência de mercado como empreendedora no ramo de alimentação e consultora na Shell Brasil. Revisora da Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas. Consultora e facilitadora de programas de Empreendedorismo no Centro de Empreendedorismo e Incubação da UFG (CEI/UFG), Incubadora 3D (Prefeitura de Aparecida de Goiânia), Aldeia Incubadora (Uni-Anhanguera), UnIncubadora (UniEvangélica), Proin (UEG), Incubadora Athenas (UFG/Catalão), Incubadora Beetech (UFG/Jataí) e PUC Incubadora (PUC/GO). Já capacitou professores para o Empreendedorismo no Senac-GO, Senai-GO, UFG, Uni-Anhanguera e UniEvangélica.

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